domingo, 26 de maio de 2013

O Vento e a Fita

Vento... Perguntava a meu pai “do que é feito o Vento? Quando criança ele me respondia que “não sei, mas que se fosse para arriscar, era feito de “ar””. Advinda a singela resposta, surgia uma cruel dúvida “e o ar, do que é feito”?”, o pai respondia-me, mas cuidadoso, “de gases, do vapor de água, da poeira também”. Eu nunca gostei do Vento, quando criança ele fazia com que a minha bola de futebol ganhasse rumos que não eram pretendidos, eu na goleira sofria, e não adiantava botar a culpa nele, afinal, “quem era o Vento?”“ Nunca foi gente e nem era duro como uma pedra. Ele também destruiu muitos dos meus empreendimentos, como zoológicos de insetos, castelo de areia, bom ele era com as pipas, mas nunca brinquei disso, então comigo nunca foi muito gentil. Quando cresci passei a ver o vento de outra forma, era ele comparado ao destino, ou surpreendente, inesperado, inesgotável... Fonte de reviravoltas... Continuei a não gostar o Vento. Sabe quem eu sou? Uma Árvore, e tenho raízes mais para me segurar do Vento do que propriamente por necessidades outras, nunca recebi grandes benesses desse tal de vento, em geral me vêm parasitas, pestes, pragas, o que de bom dei, ou colhi, fora obra de minha transpiração e trabalho. Ei hoje, estou aqui, talvez no melhor de meus verões, e o vento me trouxe uma bela fita colorida, dessa vez não me trouxe um lixo como costume: saco plástico ou flanela; trouxe uma bela fita vermelha... E agora mais do que nunca odeio o vento, pois sei que ele a irá tirar de mim, maldito seja o vento e suas maquinações.

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