segunda-feira, 13 de maio de 2013

O Pomar

5 da manhã... Ele levanta-se, já o sol, está de pé./ Seu trabalho está a sua espera, já as galinhas, ciscam de fome./ A roupa é de ontem, usada; já as frutas do pomar, são de hoje./ Sobe no cavalo, há léguas; e na plantação, há pés.// O sol já lhe queimou a face, sempre queima a grama./ Seu cavalo desce a serra veloz, sempre é ao mesmo dia, hora, segundo./ O verde já lhe toma a vista, sempre o verde lhe tomará os braços./ Desmonta do cavalo, monta um nó, mas não retorce o dever.// Há frutas ainda bem verdinhas, as já maduras, há sua mão, de luva opaca./ O vento movimenta os galhos, não tão delicado é o arrancar da fruta./ Há muitas frutas no cesto, há números, até dinheiro e tédio./ Todas elas são descarregadas no caminhão, vivas tão quanto o eram quando carregadas.// Senta-se á pedra, tendo nas mesmas árvores, a coberta./ Livra-se das opacas, as luvas, já disse e surgem os dedos, rachados./ Seca a forte testa para não irritar os olhos laborais./ O feitor vai se despindo de seus feitos, é hora de descansar.// Doce, algum doce cheiro muda os olhos./ Chão, lá está, de seu lado o que doce deixou o vento./ Uma flor, só e sozinha, sem amigas e comadres./ Ele para, e recomeça, donde terá vindo?// Provavelmente que de um passarinho./ A rosa é rosa, simples, não precisaria ser diferente./ Já estar ali era inconveniente, local de suor, não de sutileza./ Pega-a, arranca-a, espreme-a, amassa-a.// Coloca-a entre as páginas de um livro./ Ele assim chama o que outros de caderneta apontam./ É algo que ele leva, mesmo não usando./ Como se esperasse uma rosa, pois se quisesse uma fruta, Este não estaria ocupando o nada de sua bolsa.//

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