quarta-feira, 15 de maio de 2013

Dividindo um Quarto

De certo, estava na casa de minha mãe, morava com ela pela comodidade, ela até certo ponto gostava, por ser viúva, se sentia muito só. Já para mim, estar na casa de outra pessoa me livrava de algumas responsabilidades, incômodos que teria de conviver se vivesse sozinho, me aproprie de sua hospitalidade. Convidei, por razões que aqui serão desconhecidas, uma moça para dividir o quarto, informei isto a minha mãe, sei que ela não gostou, mas para me agradar aceitou, não fazia ideia que a menina era menor de idade, se fizesse... A menina não era uma grande amiga, na verdade nem gostava muito de mim, simplesmente estava procurando um local para morar, seus pais não aceitavam bem a sua condição de lésbica. Eu também não simpatizava com ela, pelo menos não com a sua grande irritabilidade, embora gostasse dela me desafiar, coisa que não se furtou a fazer logo que chegou à minha casa, não era uma medrosa. Conversávamos, certa vez, eu, ela e meu irmão. - Eu também não gosto de Samba! - Exclamou! Laya. - Ah, mas não é nada que perturbe escutar uma vez ou outra. – Retruquei. - Eu acho que cada um tem de ter seu estilo próprio – Interferiu meu irmão. - Concordo com ele, isso demonstra que a pessoa tem, ao menos, personalidade. Reafirmou Laya. - Pera aê, gostar de algo não é a mesma coisa de ter uma personalidade. – Disse, já bastante incomodado, ao tentar “arrumar-me” em cima de um banco. - Quem gosta de tudo e de todas na verdade não gosta de nada. -É, mas não há nada de mal em gostar do que é bom. - Eu não gosto de Samba! - Eu também não! – finalizou meu irmão. Pensei, “definitivamente ela não vai com a minha cara!”. Ela dormia no meu quarto, mas não comigo, como disse: ela não gostava de mim, só de minha hospitalidade. Era um quarto pequeno, com duas camas de solteiro e um guarda-roupa, estendíamos as roupas em um pequeno varal instalado na janela. Querem que eu fale mais sobre ela? De como ela era? É... disso eu gostaria de falar. Ela era branca, de corpo grande, mas não gorda, ao contrário, era um mulherão, pernas grossas, cabelos negros, gostava de se vestir ao estilo gótico, tinha “piercings” e muita maquiagem. Gostava também de saias curtas. Não... Nunca a vi mais a vontade do que isso, ela dormia de “vestidão”... Estava eu, outro dia, atrasado, tinha de me matricular na Universidade, sim, novamente estaria eu lá, já sou formado. Tinha de me vestir, estava com pressa, e ela estava lá, a minha frente, me atrapalhando com suas roupas envoltas por um grande lençol, como se fosse uma bolsa, suspenso em cima de sua cabeça. - Laya, vamos, logo, vamos, tenho de sair! - Calma, não está vendo que estou com todas as minhas roupas em cima da minha cabeça? - Sim, óbvio, mas vamos logo! - Ah é? Ela então jogou a sua amarração de roupas pra cima... o lençol se abriu e nos cobre, além das peças de roupas, ela sorriu, eu me zanguei e estava prestes a dar- lhe uma bronca, ela colocou suas mãos sobre o meu peito, eu passei a mão por sua coxa e a apertei, ela riu e se saiu por debaixo do lençol, neste instante chegou a minha mãe, que não gostou muito, mas nada disse. Eu era inocente! Ah, Deus, a danada estava começando a gostar de mim! Fui, então, para a Universidade... me matriculei . Incrível! Tudo estava diferente, eu estava perdido, mas quis me manter assim por um tempo, não tinha nada o que fazer, resolvi só andar. Enquanto andava encontrei, ao lado de uma banca de Xerox, Laya e uma amiga, Belli, muito feia, tosca, não era sapatão, mas não faria diferença alguma se fosse. Não leitor, essa não é uma história de amor, um romance nunca passou pela minha cabeça, eu a cobiçava por ser um animal: ela me agravada, e por ela tanto me desafiar. Parei perto das duas, elas conversavam, durante 5 segundos não me perceberam... - Menino! Seu louco, nem te vi ai. – Disse a assustada Belli. - Pois é, estava só olhando. - Ele é mesmo um chato, tá fazendo o que por aqui? – Diz, com um leve sorriso, Laya. - Nada, só andando. - Tá (e Belli, volta a sua atenção para a amiga, a espera que assim eu saísse e deixasse as duas novamente a sós) Fui embora, tomei meu rumo... Elas voltariam a conversar... - Ele é estranho! E engraçado. - Só sei que ele até que me faz bem, sei lá, se me sinto gorda, buchuda, vivendo lá acho que minha barriga diminui e eu sei que ele gosta do meu rabão. - Menina!!! Continuei a estranhar tudo a minha volta: “não era assim”. Avistei alguns jovens, uns jogavam pingue-pongue, não jogavam bem, eu também não, mas os olhava como se soubesse mais do que eles, quem sabe eu soubesse ao menos mais do que parte deles. Sentei-me, e do meu lado estava um jovem citando aforismos, olhou-me de soslaio, fiz cara de que concordava com o que dizia, na verdade não entendi nada do que ele falava, me levantei e o deixei na solidão. Continuei andando e mais a frente encontraria um grupo ainda maior, resolvi estabelecer contato: - Com licença, vocês saberiam onde é o CENTRO? Uma menina de jeans não permitiu que os outros falassem, capturou logo a minha atenção. - Eu sei!... e saiu correndo........ Não entendi, e acho que você também não. Enquanto ela corria um dos amigos da moça me disse “vá atrás dela” e todos riram... Sai correndo, seguindo-a. Ela? Cabelos encaracolados, magra, peitos pequenos dentro de uma camisa regata, jeans apertado, tinha uma boa bunda... Eu a segui... era uma corrida sexual, quando eu a pegasse, seria minha presa, fui parado!!! - Ei, Gustavo, tá correndo por quê? (Parou-me Flávio, colega de trabalho). - Eu estava seguindo aquela menina, se a pegar, é minha! - Ela é bonita, te dou dinheiro se você a arranjar pra mim. - Certo, espera ai! ... E ela parou numa mesa onde estavam mais dois rapazes, apressei meus passos, afinal ela me foi dada, cheguei!! - Opa! Ela é sua namorada? (indagou um dos rapazes). - Não, ela é só minha! Nisso chegou meu colega... “e ai, vai rolar Gustavo?” Era muita coisa para administrar, sabia que ela era minha, mas de repente ela não estaria disposta a fazer tudo pra mim... Ela havia entendido o que meu amigo queria e não esboçou reação... Eu disse: “vocês a querem? Então vão, mas terão de me pagar”... eles foram..... depois só os dois jovens voltaram. - Foi bom! - Se gabou um deles. - Fomos antes de seu amigo, ele não fez questão. - Meu pagamento? - Você quer qual destes celulares? Escolhi um, coloquei-o no bolso, enquanto ainda segurava o outro... mas não sei o que ocorreu, do nada me deu um branco... eu já não estava mais ali parado, estava andando, procurando por algo. - Ei, este fica conosco, você já escolheu o outro. - Sim, eu sei. – Devolvi. Não sei por que agi daquele jeito, daquela maneira estranha, não sei se foi por causa do meu estranhamento com aquele lugar... ou se já estou me habituando a me apropriar do que é dos outros.

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