quarta-feira, 29 de maio de 2013
A Inveja é o Homem.
Direito, Ultraje e Inveja.
Parte 1 – Inveja x Ultraje.
Redijo aqui uma tese de que todo Ser Humano é Invejoso, ou seja, é natural do bicho homem sentir dor, raiva e angústia frente a vitórias, conquistas de outros da mesma espécie. Durante uns poucos debates que tive sobre o assunto com outros colegas filósofos amadores pude apurar que entre eles há a opinião de que talvez algumas pessoas não o tivessem. Questionei-as a partir de diversos exemplos no intuito de delimitar o que seriam para eles os atos que chamo de invejosos. A citação que melhor consegui captar e isolar é a aversão que temos pelas conquistas injustas, aquelas provenientes ou de atos não meritosos ou por meios ultrajantes. Para melhor embasar o que aqui está sendo escrito, temos o ultraje que temos diante da figura dos bajuladores. Realmente o exemplo de tais figuras fora o que considerei mais instrutivo para o prosseguimento da tese.
De certo que a raiz da INVEJA, indignação frente a obtenção de algo por outrem, está presente no ULTRAJE que sentimos pelos bajuladores, mas ao serem tais pessoas confrontadas com essa premissa teceram inúmeras explicações que afastariam o conceito de ULTRAJE da INVEJA. A primeira dessas explicações seria o fato de o ULTRAJE apresentar uma “Justificativa Moral-Racional”, enquanto que a INVEJA ocorreria como um fenômeno “Ilógico-Instintivo”. Antes de nos esgueiramos pela vigência ou não das citadas diferenças seria oportuno falarmos um pouco dos fenômenos apresentados.
Ao citarmos uma “Justificativa Moral-Racional” tem de levar em conta a premissa desse termo de remontar a algo relacionado a uma manifestação coletiva. Temos o quesito moral como um elemento de vínculo de uma sociedade, ou grupo, pode até estar disforme dentro de um mesmo espaço, mas para ter vigência tem de haver respaldo por parte de certo grupo, caso contrário não passaria de uma excentricidade. Quanto a perspectiva racional da justificativa, está se dá no fato de que a defesa de certos valores não é um ato fútil, mas sim uma forma de preservação da ordem e da própria sociedade a depender do costume atingido, sendo então um mecanismo de defesa bem orientado.
Quando falamos em “Justificativa Ilógico-Instintiva” temos de perceber que os atos desencadeadores da INVEJA, embora obrigatoriamente causem um dano psíquico inegável ao seu portador, muitas vezes não guardam relação objetiva com o mundo onde vive. Um exemplo interessante é alguém estar feliz pela morte de um piloto de carro, ou de um parente de um vizinho, ou mesmo do filho desse mesmo vizinho. O sentimento de competição que nutrimos desde nossos primeiros passos é orientado pelo nosso instinto, sendo uma das leis de sobrevivência que a natureza nos imputa, seja enquanto sêmen seja quando já senil; e na INVEJA tal sentimento é absurdamente relevante, pois dificilmente temos INVEJA de um carro pior do que o por nós possuidores, normalmente a INVEJA é direcionado para um determinado objeto ou situação que nós faz sentirmo-nos piores do que o ator do fato ou do bem.
Agora que abordamos razoavelmente os fenômenos desencadeados do ULTRAJE e da INVEJA iremos tratar da validade de tal diferenciação. Reconheço que o aspecto Moral seja a única diferenciação existente entre o ULTRAJE e a INVEJA PURA, mas que, na verdade o ULTRAJE faça parte de uma abordagem genérica da INVEJA. Pois se temos o conceito de INVEJA como sendo indignação frente a obtenção de algo por outrem, poucas alterações teríamos frente ao ULTRAJE, que nada mais servia do que indignação frente a obtenção de algo por outrem de modo que contrarie os costumes, vale frisar que o âmago é o trecho grifado acima e não a falta de adequação de um ato aos bons costumes. Pela proximidade de conceitos não seria razoável, embora não possamos igualar, mas seria prudente chama-los de semelhantes, familiares. Minhas divergências sobre a questão da racionalidade se iniciariam por sua deliberada oposição ao conceito instintivo presente na INVEJA. É fácil observar que tanto a Racionalidade quanto a Instintividade são ferramentas de defesa, preservação. O que as diferenciariam seria somente a amplitude, pois enquanto uma faz referência a um universo particular, outro faz a um universo de particularidades.
Outro ponto de Divergência seria a Pretensão Punitiva (Justiça). Principalmente quanto às causas que desencadearam tal Pretensão. Temos aqui uma diferenciação que facilmente nos levaria a crer que tais conceitos seriam inconciliáveis dentro de um mesmo sistema. Se assim pensarmos, acreditaremos que na verdade o ULTRAJE estaria muito mais próximo do DIREITO, do que da INVEJA.
Parte II - Inveja X Direito & Ultraje.
Sabemos que há nesses 3 institutos a Pretensão Punitiva (Justiça), mas que possivelmente não sejam de uma mesma natureza tais pretensões. Teríamos na INVEJA Pretensões Punitivas puramente Egoístas, Vingativas, advindas da sensação de sofrimento “Justiça de Retaliação”, enquanto que no ULTRAJE e no DIREITO encontraríamos uma (Justiça) baseada na preservação de Bons Valores, funcionando como uma “Justiça Adequadora”. Há uma séria incongruência nesta tese, pois no DIREITO nem sempre o “Usufruto” do ato recriminável é valor a ser prioritariamente considerado, “Tipo do Crime”. Um exemplo, se o filho mata o pai para ficar com a sua herança, mas nada recebe, tal desvio de objetivo em nada interferiria na busca punitiva do DIREITO, pois este está preocupado mais com a adequação dos atos do que com o resultado, ou vantagem, ou obtenção de algo em decorrência do tipificado ato. Diferente ocorre com o ULTRAJE e com a INVEJA, que dependem de um “Usufruto” do ato. O Invejoso busca repreender o Invejado em virtude de seu sofrimento mental, há um efeito inconteste, a dor. De forma familiar o Ultrajado só se sente assim, só o é, se o corruptor dos bons costumes conseguir vantagens, ou seja, se da corrupção nada for obtido, o ato corrupto logo será esquecido e o ânimo punitivo estará resfriado, não havendo de falar em uma “Justiça Adequadora”. Alguns podem argumentar de que há casos em que os corruptores sofrem antes da atenção dos Ultrajados antes mesmo de receberem as recompensas por seus atos. Em resposta digo que o mesmo acontece na INVEJA, e não passa de mera “Antecipação”. Não reagimos somente ao que nos ocorre, mas também ao que é possível que nos ocorra e para os que estão descrentes no que se refere a uma INVEJA Antecipada, basta apenas pensar em dois rapazes interessados numa mesma garota, cada sinal de afeto dela para um, representará sentimento de INVEJA no outro, embora nenhum dos dois ainda tenha conseguido o fim pretendido.
A inveja pura e o ultraje não seriam a mesma coisa, mas tal proximidade facilmente os colocaria na mesma família.
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